Mundo
Guerra no Médio Oriente
Paquistão, o novo guarda-chuva nuclear do Médio Oriente
Durante muito tempo visto como um Estado frágil, o Paquistão pode tornar-se tornar-uma peça de xadrez essencial para a segurança na região.
No início de março, Emmanuel Macron anunciou uma revolução estratégica: França passaria a ter uma "dissuasão avançada".
Em termos concretos, o arsenal nuclear francês deixaria de proteger apenas o próprio país para se tornar um escudo para toda a Europa, com garantias alargadas aos aliados e exercícios militares conjuntos. Uma ideia brilhante que inspirou imediatamente... o Paquistão.
Islamabad aproveitou rapidamente a oportunidade comercial oferecida por esta nova abordagem.
Há alguns meses, o Paquistão e a Arábia Saudita assinaram um acordo histórico de defesa mútua: qualquer agressão contra um dos países seria considerada como uma agressão contra ambos.
O pormenor que muda tudo? O Paquistão continua a ser o único país muçulmano a possuir oficialmente armas nucleares, com 170 ogivas. Assim, Riade acabou por passar o guarda-chuva nuclear para o Paquistão.
Um guarda-chuva para dois inimigos declarados
Há uma hipótese que circula atualmente nas embaixadas e nos serviços secretos internacionais: O Irão, que se encontra sob pressão militar dos Estados Unidos e de Israel desde o final de fevereiro, poderia também refugiar-se sob esta proteção nuclear paquistanesa. Este cenário colocaria Islamabad numa posição sem precedentes de oferecer a sua garantia nuclear a dois rivais irreconciliáveis.
De um lado, a Arábia Saudita sunita e, do outro, o Irão xiita. Duas potências regionais que já lutam entre si por procuração no Iémen, no Líbano e na Síria. No entanto, esta configuração geopoliticamente explosiva pode muito bem tornar-se realidade, transformando o Paquistão no árbitro nuclear do Médio Oriente.A dimensão empresarial da bombaPor detrás desta revolução estratégica está uma lógica puramente económica. Ninguém empresta a sua bomba nuclear por pura simpatia. A Arábia Saudita financiou o programa nuclear do Paquistão nos anos 80, pelo que este novo acordo parece ser um retorno de investimento particularmente suculento.
Para o Irão, o quid pro quo seria diferente, mas igualmente atrativo: Islamabad poderia obter gás iraniano a preços reduzidos ou acesso privilegiado a portos estratégicos. Se esta hipótese se confirmar, a dissuasão nuclear deixaria de ser um mero símbolo de prestígio nacional e tornar-se-ia um verdadeiro serviço comercial.
Há uma hipótese que circula atualmente nas embaixadas e nos serviços secretos internacionais: O Irão, que se encontra sob pressão militar dos Estados Unidos e de Israel desde o final de fevereiro, poderia também refugiar-se sob esta proteção nuclear paquistanesa. Este cenário colocaria Islamabad numa posição sem precedentes de oferecer a sua garantia nuclear a dois rivais irreconciliáveis.
De um lado, a Arábia Saudita sunita e, do outro, o Irão xiita. Duas potências regionais que já lutam entre si por procuração no Iémen, no Líbano e na Síria. No entanto, esta configuração geopoliticamente explosiva pode muito bem tornar-se realidade, transformando o Paquistão no árbitro nuclear do Médio Oriente.A dimensão empresarial da bombaPor detrás desta revolução estratégica está uma lógica puramente económica. Ninguém empresta a sua bomba nuclear por pura simpatia. A Arábia Saudita financiou o programa nuclear do Paquistão nos anos 80, pelo que este novo acordo parece ser um retorno de investimento particularmente suculento.
Para o Irão, o quid pro quo seria diferente, mas igualmente atrativo: Islamabad poderia obter gás iraniano a preços reduzidos ou acesso privilegiado a portos estratégicos. Se esta hipótese se confirmar, a dissuasão nuclear deixaria de ser um mero símbolo de prestígio nacional e tornar-se-ia um verdadeiro serviço comercial.
O Paquistão, durante muito tempo visto como um Estado frágil, tornar-se-ia então uma peça de xadrez essencial de segurança para o Médio Oriente.
Num mundo em que as grandes potências se fecham sobre si próprias, o guarda-chuva nuclear está a ser privatizado. E já não é Paris que dita a doutrina, mas Islamabad que vende as suas apólices de seguro a quem paga mais.
Amid Faljaoui / 20 april 2026 08:50 GMT+1
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa
Amid Faljaoui / 20 april 2026 08:50 GMT+1
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa